ExamesCDS-PPquer debater 6ª feira na AR política de exames, após críticas de excesso de facilitismo
Lisboa, 25 Jun (Lusa) - O CDS-PP quer debater sexta-feira no plenário da Assembleia da República a política de exames em Portugal, na sequência das críticas de facilitismo por parte de várias sociedades científicas, anunciou hoje à Lusa o deputado Diogo Feio.
"O CDS vai apresentar um requerimento para que seja feito na Assembleia um debate de actualidade relativamente aos exames. Consideramos que o actual Ministério da Educação está numa política educativa sem retorno, com sinais que nos parecem errados", disse o deputado à agência Lusa.Como exemplo de "erros", apontou o novo regime de faltas (alunos que faltem "mesmo de forma não justificada podem transitar de ano") e a "situação em que constantemente os exames são criticados ano após ano".Para Diogo Feio, os recentes exames nacionais do 9º e do 12º ano "defraudaram" pais, alunos e professores."Relativamente aos pais, porque querem que os seus filhos estejam preparados para o mundo do trabalho, relativamente a muitos alunos que se esforçam para terem boas classificações e vêem o seu trabalho defraudado, e relativamente a professores que exigem aos seus alunos durante todo o ano e que os ensinam para a exigência e sentem alguma desmotivação no seu trabalho", comentou.O CDS-PP afirma que "pretende credibilizar os exames em Portugal" e que não se "conforma" com a referência a perguntas mal elaboradas e outras "que deixam muitas dúvidas quanto ao seu grau de exigência".A Sociedade Portuguesa de Matemática, a associação de professores da mesma disciplina e a Sociedade Portuguesa de Química são algumas das entidades que consideraram os exames nacionais deste ano excessivamente fáceis. As mesmas críticas ouviram-se também nas provas nacionais de 9º ano, com a de Matemática a ser considerada pelos professores como a mais fácil de sempre.Na semana passada, o CDS-PP, o único partido que defende a existência de exames nacionais no 4º, 6º e 9º anos, defendeu a elaboração das provas por parte de uma "entidade independente" e a criação de um "banco com milhares de perguntas validadas por sociedades científicas", propostas apresentadas como a única forma de evitar as polémicas que surgem anualmente em torno dos exames.Terça-feira no Parlamento, na Comissão de Educação, a ministra Maria de Lurdes Rodrigues lembrou que a responsabilidade da elaboração dos exames é do Gabinete de Avaliação Educacional, que concluiu no final do ano passado, por exemplo, que os exames eram "provas de maratona" e não de "conhecimento", pelo que se decidiu dar mais 30 minutos de tolerância na sua realização."Esta é uma medida de resposta, não é facilitismo. Não queremos que o tempo seja uma razão para os maus resultados dos alunos. Os maus resultados só podem ser justificados pela falta de conhecimentos", acrescentou a ministra."O objectivo dos exames não é compará-los com os do ano passado. Os alunos quando se candidatam ao ensino superior estão a competir entre si. Esta é uma falsa questão que só serve para levantar alarmismo junto das famílias", acusou Maria de Lurdes Rodrigues.A ministra considerou que as provas foram realizadas com "rigor", "exigência" e que foi melhorada a sua "qualidade técnica": "Tenho as maiores reservas em relação ao facilitismo que alguns apontam".
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